Em Bragança, o debate centrou-se na relação entre património alimentar, identidade territorial, inovação e criação de valor. O programa incluiu a conferência «Alimentos de Montanha e o Mercado Global», proferida por Deolinda Silva, Diretora Executiva da PortugalFoods, e duas mesas-redondas dedicadas às políticas e estratégias de valorização dos produtos de montanha e às oportunidades de inovação associadas aos recursos locais.
A sessão de abertura contou com a participação do Reitor da UPB, Orlando Rodrigues, da Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, do Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Paulo Ramalho, e do Diretor do LA-SusTEC, José Alberto Pereira.
A componente gastronómica esteve também presente, com sessões de showcooking protagonizadas pelos chefs Justa Nobre e Óscar Geadas, no âmbito do Curso Profissional de Técnico de Cozinha e Restauração da Escola Secundária Abade de Baçal. Uma experiência sensorial e uma mostra de produtos de empresas locais completaram o programa, dando a conhecer diferentes sabores e produções dos territórios de montanha.
Cinco encontros, diferentes produtos e desafios do território
Iniciado em abril, em Mogadouro, o ciclo do Ano da Alimentação levou a discussão científica e técnica a diferentes concelhos, com programas adaptados às características e produções de cada território.
O primeiro encontro, «Alimentos do Planalto: do Terroir à Gastronomia», destacou produtos como o mel, o queijo e os cogumelos, explorando a sua ligação à gastronomia e à identidade local.
Em maio, Alfândega da Fé recebeu uma sessão dedicada à certificação e autenticidade dos produtos alimentares da Terra Quente, com especial atenção à cereja e à amêndoa. O programa abordou a diferenciação dos produtos regionais e incluiu visitas técnicas a unidades de transformação e explorações agrícolas.
A terceira sessão realizou-se em junho, em Carrazeda de Ansiães, tendo como foco a qualidade e valorização dos produtos de montanha. A maçã, o vinho e o azeite estiveram no centro da reflexão sobre inovação, características dos produtos, rastreabilidade e oportunidades de valorização nos mercados.
Em setembro, o ciclo passou por Montalegre, com um encontro dedicado à qualidade e segurança alimentar dos produtos tradicionais, particularmente das carnes e dos enchidos, antes de terminar em Bragança com uma abordagem mais abrangente ao património alimentar e ao seu contributo para o desenvolvimento territorial.
Ao longo dos cinco encontros, o LA-SusTEC procurou aproximar a investigação científica das atividades produtivas e das comunidades locais, colocando em discussão desafios concretos relacionados com a autenticidade, a qualidade, a sustentabilidade e a valorização económica dos alimentos de montanha.
A realização das sessões em diferentes concelhos permitiu dar visibilidade à diversidade dos produtos transmontanos e às oportunidades que resultam da articulação entre conhecimento científico, tradição e inovação.
Foto: Ano da Alimentação